domingo, 9 de setembro de 2012

Passos

Andamos sempre em frente em direção a lugar nenhum.
O que é o mundo se não uma bola!
De uma lado a outro se encontra o mesmo caminho.
Sou fruto de um desejo, de um beijo, de um encontro divino.
Onde estou eu?
Num mundo sem rumo seguindo em frente ou partindo de um começo sem fim precedente?

Melodia de meio tom


 O tom dos passos de sua caminhada até mim, a sobra da voz que me enche em si.
O mundo gira em passos de um pulsar cardíaco apressado.
Os passos ao elevador me enche de presságio.
Aumentam a angústia, decifram minha tortura.
Não vejo o mundo parar, não vejo andar ao menos rodar.
Pulsa em suas veias o sangue de um ritmo sem som, notas sem tom de uma sinfonia que não cala, não soa, não entra.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Almejo



Me faça sentir teu cheiro, me faça perder o medo.
Não me diga quanto me ama, me mostra o quanto me queres.
Tento por um instante entender teus sentimentos, paro um pouco, vivo por um momento.
Peço teu beijo, evito o desejo, me dobro por inteiro, mas no fundo de mim, tudo que quero é sentir que tudo que veio não fica ali mesmo. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Veneno

As palavras saem da boca como vento que canta, como a alma que encanta que nem sempre espanta.
Uma ordem de um segredo se esvai com o pensamento, decifra-se com o tempo, engana por um momento.
Não me canso de esperar por um tempo que ainda não foi, que ainda não vem que ainda não tem.
Memórias de uma sombra que passou, de um silêncio que restou, de um fato que deixou.
As marcas na janela só me fazem lembrar, me fazem sofrer, me fazem chorar. Mas quando olho para o vento o sinto nos cabelos, sinto o tempo e te esqueço por um momento.

Desejo


Meio sem jeito, o jeito se ajeita, em um jeito meio sem jeito, de um jeito sem fim.
Te carrego em meus braços, para um beijo de um jeito, que só o jeito de ajeitar explica em si.
Te ponho no peito, com um aperto de um jeito, que te torna feliz. Te solto de um jeito que de tal jeito te prendo em mim.
O que resta desse jeito, é somente o desejo, de um jeito te ter sempre você por perto de mim.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Desdenho


O silêncio me domina e preenche o espaço que falta você, sinto o seu cheiro, procuro teu beijo, me vejo em você.
Choro em silêncio, me esvazio por um momento, busco você.
A dor de não te ver me faz aprender o quanto sozinho sei viver.
Não me deixe no silêncio, não me faça a lento esquecer você.
Então eu me calo, disfarço e aos poucos aprendo a viver sem você.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Fluxo


Os carros sobrem e descem a cidade, as pessoas caminham em sentido algum, as luzes mudam de direção e cor, a água que corre sempre para o mar.
Porque caminhar para frente quando tudo o que olho fica para trás?
Esqueço os momentos, desvio os pensamentos, não fecho os olhos.
As noites tão secas de sono, tão cheia de fantasias tão vagas em vão.
Se durmo relembro, se deito recordo e se esqueço esvaeço nos desejos de um amanhã tardio, genérico, poético.
Não paro de pensar, de rezar... de supor.
Só vejo um fluxo crescente, eminente que não chega nem a se pôr.