Os carros sobrem e descem a cidade, as pessoas caminham
em sentido algum, as luzes mudam de direção e cor, a água que corre sempre para
o mar.
Porque caminhar para frente quando tudo o que olho fica
para trás?
Esqueço os momentos, desvio os pensamentos, não fecho os
olhos.
As noites tão secas de sono, tão cheia de fantasias tão
vagas em vão.
Se durmo relembro, se deito recordo e se esqueço esvaeço
nos desejos de um amanhã tardio, genérico, poético.
Não paro de pensar, de rezar... de supor.
Só vejo um fluxo crescente, eminente que não chega nem a
se pôr.
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